Turismo religioso: conheça 6 destinos no Brasil

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No mês de outubro, milhares de brasileiros deixam suas cidades para participar de duas celebrações religiosas no país. A primeira, o feriado de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, acontece no dia 12. A data leva milhões de pessoas à cidade de Aparecida (SP) para celebrar a santa ou pagar promessas. Já no Norte do país, em Belém (PA), o Círio de Nazaré reúne mais de dois milhões de fiéis na procissão em devoção à Nossa Senhora de Nazaré.

Os números ajudam a dar a dimensão do turismo religioso no país, que motiva em média 17,7 milhões de viagens anuais em território nacional – movimentando cerca de R$ 15 bilhões, segundo o Departamento de Estudos e Pesquisas do Ministério do Turismo. E não é para menos: de acordo com pesquisa do Datafolha, feita em 2020, apenas 10% da população afirma não ter uma religião, segundo pesquisa do Datafolha de 2020.
Seja para pagar promessas, descobrir novas crenças ou conhecer os principais símbolos da própria religião, destinos interessantes não faltam! Separamos seis deles para quem deseja exercer sua fé ou conhecer novas religiões. Confira:

1- Aparecida (SP)
A cidade de Aparecida, no Vale do Paraíba, em São Paulo, abriga o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, o maior templo católico do país e o maior dedicado à Maria em todo o mundo. A prefeitura estima que mais de 2 milhões de pessoas passem pelo município em outubro por causa das celebrações. Entre eles, 150 mil devem visitar o santuário apenas no dia 12.
Segundo a história, em 1717, um grupo de pescadores recebeu a missão de pescar, no Rio Paraíba, para o banquete que seria oferecido ao governador da época. Após várias tentativas, porém, não tiveram sucesso. Até que a rede trouxe uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Em seguida, eles lançaram a rede novamente e foram surpreendidos pela abundância de peixes.
Desde então, a devoção à Nossa Senhora Aparecida só cresceu em todo o país. Todos os anos, milhares de fiéis fazem a peregrinação – caminhando, a cavalo, de bicicleta, de carro e até mesmo de joelhos – até o santuário. Só em outubro deste ano, 60 mil romeiros devem passar, à pé, pela Presidente Dutra, principal rodovia de acesso à cidade, de acordo com a Polícia Rodoviária Policial.
O complexo do Santuário Nacional inclui basílica, mirante e museu dedicados à padroeira. É lá que a imagem original da santa fica exposta ao público, e há também espaço para quem deseja pagar promessas. A cidade ainda reúne diversas atrações turísticas para os devotos, tais como a Basílica Velha, o Porto Itaguaçu, a estátua de Nossa Senhora Aparecida, a Torre Mirante e o teleférico, que liga o santuário ao Morro do Cruzeiro.

2- Cotia (SP)
Desde 2003, um dos principais atrativos de Cotia, na Grande São Paulo, é o templo budista Zu Lai. Trata-se de um espaço com mais de 10 mil metros quadrados dedicados à Fo Guang Shan, ordem fundada em Taiwan que possui mais de 200 templos em todo o mundo. É o primeiro templo do monastério na América Latina e tem capacidade para mil pessoas. O projeto foi inspirado no estilo arquitetônico oriental dos palácios da Dinastia Tang.

Além do templo principal, onde o destaque é uma estátua de Buda de jade, há salas de meditação, uma biblioteca e um auditório. O local também abriga a Universidade Budista do Brasil e, atualmente, dez monges vivem nas instalações. Os visitantes podem acompanhar as cerimônias recitadas pelos monges, meditar e explorar o local, cujas atrações incluem lagos, parquinho para crianças e um exuberante jardim.

O Zu Lai fica no espaço do sítio da família Chang, que doou o espaço para a construção. As cerimônias seguem os preceitos do budismo humanista e são baseadas em quatro pilares – cultural, educacional, ações sociais e práticas religiosas. O objetivo é integrar diversas tradições budistas presentes no Brasil, em atividades conjuntas com outros templos, a exemplo da comemoração do Vesak, data que marca a iluminação e a morte de Buda.

3- Nova Trento (SC)
Em Santa Catarina, Nova Trento também foi recém-adicionada ao roteiro religioso dos brasileiros. Isso porque, em 2005, foi inaugurado o Santuário de Madre Paulina, primeira santa brasileira. O templo tem uma arquitetura moderna, com capacidade para seis mil fiéis. O complexo também conta com outras 30 atrações, entre elas, as capelas do Santíssimo, Penitencial e Santa Paulina.

A cidade abriga o santuário porque foi lá que viveu Amabile Lúcia Visinteiner, italiana que se mudou para o Brasil em 1875 e teve dois milagres reconhecidos pela Igreja Católica. O primeiro foi a cura instantânea de uma mulher, em Imbituba (SC), após complicações decorrentes da perda de um bebê no sétimo mês de gravidez. O segundo, em Rio Branco (AC), quando uma menina com hidrocefalia foi curada.

O reconhecimento dos dois milagres fez com que Amabile, que em vida fundou a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, em Nova Trento, junto com as irmãs, fosse canonizada pelo Papa João Paulo II e se tornasse Santa Madre Paulina. O nome foi recebido por Amábile depois que ela fez os votos religiosos na Congregação, em 1890, e o “madre” após ser eleita Superiora Geral da entidade que ajudou a criar.

O município, localizado no Vale Europeu, reúne outras atividades turísticas, sobretudo voltadas ao ecoturismo. A cidade é cercada por montanhas, natureza e cachoeiras, sendo um prato cheio para os turistas que gostam de trilhas. Estabelecimentos para venda e degustação de vinhos, queijos, salames e outros produtos artesanais também são um atrativo de Nova Trento.

4- Juazeiro do Norte (CE)
Juazeiro do Norte é a maior cidade do interior do Ceará. A cidade é considerada a capital da fé e é um dos mais tradicionais destinos religiosos do país. Ao longo do ano, recebe diversas celebrações, como romarias e missas, em homenagem ao Padre Cícero. O líder católico foi eternizado em uma estátua de 25 metros, sendo a terceira maior em concreto do mundo.

Padre Cícero tem o título de “santo popular”, pois não é reconhecido pelo Vaticano. Isso porque, quando ele morreu em 1934, estava “rompido” com a instituição em razão do episódio conhecido como Milagre da Hóstia – em 1889, quando ele deu a comunhão a uma beata e a hóstia se transformou em sangue. Embora os fiéis considerem o acontecimento um milagre, a Igreja Católica avalia que essa é uma interpretação equivocada.

Só em 2015, após pedido do bispo Dom Fernando Panico, o padre foi reconciliado com a Igreja Católica. Em 2022, iniciou-se o processo de beatificação – processo onde o sacerdote pode se tornar “venerável” e, caso um segundo milagre seja comprovado, canonizado. Mesmo assim, todos os anos, milhares de fiéis vão às ruas de Juazeiro do Norte celebrar e pedir bênçãos ao Padre Cícero.

Quem vai à cidade também pode visitar o Museu Vivo, que retrata a casa onde o padre viveu, além das igrejas Matriz Nossa Senhora das Dores, centro de todas as atividades religiosas do município, e a de São Francisco, que detém um dos maiores conjuntos religiosos do norte e nordeste. A Capela do Perpétuo Socorro, construída pelo próprio Padre Cícero, é outra atração, uma vez que abriga o piso do altar-mor – ou seja, o túmulo do sacerdote milagroso.

5- Salvador (BA)
Salvador, na Bahia, abriga diversos símbolos de fé com forte sincretismo. Isso porque as principais celebrações religiosas unem o catolicismo ao candomblé e à umbanda, religiões muito presentes na cidade devido ao grande volume de escravos que ali desembarcavam no passado. Um dos principais exemplos é a lavagem das escadarias da Igreja do Bonfim, que tem origem em tradições de religiões de matriz africana.

A Festa de Iemanjá, em fevereiro, reúne milhares de fiéis. A divindade africana, que é considerada a Rainha dos Mares, também tem uma casa na capital baiana onde os fiéis podem depositar oferendas que, posteriormente, serão levadas ao mar. Durante todo o ano, mas principalmente no segundo mês, pescadores levam, em seus próprios barcos, religiosos e turistas para que eles possam deixar suas oferendas no mar.

Do lado do catolicismo, a crença popular diz que o município tem 365 igrejas, uma para cada dia do ano. Além da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim – onde fiéis e turistas amarram fitas coloridas nos portões pedindo a intercessão do santo –, merecem visita também a Igreja da Ordem Terceira do Carmo, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e o Convento de São Francisco.

6- Belém (PA)
Embora diversas cidades paraenses realizem festejos em homenagem à Nossa Senhora de Nazaré, Belém é a que concentra as principais atividades do Círio de Nazaré, um dos maiores eventos católicos do mundo. São 15 dias de celebrações, período chamado de quadra nazarena, que terminam no segundo domingo de outubro. Só em 2022, a data reuniu mais de 2,5 milhões de fiéis.
Segundo a história, no século 18, o caboclo Plácido encontrou a imagem de Nossa Senhora de Nazaré às margens de um riacho. Então, ele a levou para casa e a abrigou em um altar improvisado. No entanto, a imagem sumiu no dia seguinte e foi encontrada na beira do mesmo riacho. Ela foi levada novamente à casa do caboclo, mas o feito se repetiu várias vezes até ele entender o desejo da santa e construir um altar à beira do rio.

A história se espalhou e as pessoas começaram a ir ao riacho para pedir bênçãos e agradecer à Nossa Senhora. No local, foi construída uma igreja, que hoje é a Basílica de Nazaré. A tradição do Círio, contudo, surgiu anos mais tarde, quando a imagem retornou de uma restauração e os fiéis acompanharam sua chegada em procissão – considerada o primeiro Círio.

As celebrações da quadra nazarena incluem romarias – a pé, de carro, de moto ou a cavalo –, que terminam no segundo domingo de outubro com uma grande procissão. Na ocasião, a imagem peregrina é levada, em procissão, da Catedral Metropolitana à Basílica de Nazaré. Desde 2015, a celebração é considerada um Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura).

O percurso, de aproximadamente 4 km, pode levar horas devido ao volume de fiéis que acompanham e, principalmente, desejam tocar na corda que ajuda a levar a berlinda (oratório envidraçado onde a imagem é carregada), seja para agradecer ou pedir por uma interseção. A edição mais longa aconteceu em 2004, quando a procissão durou 9 horas e 15 minutos.

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